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Produzir alimentos tanto sob o ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo, exige que cada novo conhecimento seja incorporado aos diferentes sistemas.

*Fernando Mendes Lamas – Produzir alimentos, fibras e energia para atender as necessidades da população é um dos desafios da agricultura. Logicamente, esta produção precisa ser sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental. Não sendo atendido um dos três pilares da sustentabilidade, a atividade não é efetivamente sustentável. Por esse motivo, é cada vez maior o desafio para aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos com a produção agrícola em qualquer parte do mundo.

Em ambiente tropical, como é o caso do Brasil, este desafio é ainda maior. Plantas daninhas, fungos, vírus e bactérias que atacam as plantas cultivadas encontram condições ótimas para crescerem e se desenvolverem. Portanto, a sua capacidade de causar dano econômico é maior, quando comparado a regiões de clima temperado.

No Brasil, ao longo dos últimos anos, tem-se conseguido vários avanços que favorecem a produção sustentável de alimentos, fibras e energia. No entanto, ainda é preciso avançar tanto na geração quanto na adoção de tecnologias, muitas vezes consideradas simples, mas que fazem toda a diferença, como exemplo, o controle da erosão. A falta de controle da erosão dos solos agrícolas traz consequências altamente maléficas para toda a sociedade. O potencial produtivo dos solos agrícolas é reduzido, a conservação/manutenção das estradas rurais tem os seus custos elevados e o tratamento da água para consumo humano também fica mais caro.

Tecnologias, como o Sistema Plantio Direto (SPD) – que consiste no não revolvimento do solo, solo coberto com material vegetal e rotação de culturas quando realizado em solos onde o controle da erosão é adequado -, trazem um conjunto de vantagens para o crescimento e desenvolvimento das plantas, melhorando significativamente a sustentabilidade da produção.

Sempre pensando nas ações sustentáveis da produção agropecuária, novos conhecimentos, produtos, práticas e serviços são colocados à disposição dos produtores pela pesquisa brasileira. Um exemplo disso é a tecnologia desenvolvida pela Embrapa para o melhor aproveitamento do uso do fósforo pelas plantas – nutriente essencial, finito, do qual o Brasil importa boa parte do que consome. Trata-se de um inoculante que solubiliza o fósforo contido nos solos para incorporação pelas plantas.

Outro excelente exemplo do que a pesquisa é capaz de produzir é a redução da dose de um determinado herbicida por meio da nanotecnologia. Muitas vezes pode parecer algo abstrato, mas tudo isto está muito próximo. Hoje existem tratores autônomos (funcionam sem operadores) e já estão sendo lançados veículos de carga (caminhões) também autônomos. Inserir as novas tecnologias nos sistemas de produção é algo premente para reduzir impactos ambientais, melhorar a qualidade daquilo que é produzido, reduzir custos e melhorar a produtividade.

A produção de alimentos sintéticos também já está bem próxima de todos nós. A produção de proteína animal, carnes e ovos, em laboratório, está deixando de ser algo para um futuro distante, para se tornar quase uma realidade. A tecnologia já está dominada. O tecido sintético já é bem conhecido e está cada vez ocupando mais espaço. Com a fibra sintética (derivada do petróleo) já se produz tecidos para cama, mesa, banho e vestuário, com características que se aproximam daqueles produzidos com fibra de algodão.

O avanço da biotecnologia, de tecnologias de informação e o desenvolvimento de novos materiais a partir da nanotecnologia são exemplos daquilo que está impulsionando a agricultura cujos efeitos previstos são espetaculares quando se pensa em automação, desenvolvimento de novos produtos, melhoria da eficiência energética, aumento da produtividade da terra e do trabalho.

Em resumo, produzir alimentos, fibra e energia para atender às necessidades da população, tanto sob o ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo, exige que cada novo conhecimento seja incorporado aos diferentes sistemas de produção vegetal e/ou animal para a melhoria dos índices de produtividade e redução dos impactos ambientais. Isso demanda, de todos que estão envolvidos com a produção agropecuária, constante aprimoramento, para que se possa identificar aquilo que é mais adequado para cada condição, tendo como referencial a melhoria dos sistemas de produção. Desta forma, é preciso estar sempre em movimento, atualizado, para que seja possível incorporar na agricultura os elementos indispensáveis à sua sustentabilidade e que, a cada dia, estão mais disponíveis, graças aos avanços da fronteira do conhecimento.

Fernando Mendes Lamas – Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste – Dourados, MS

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