Observação de cio ou IATF? Conheça as estratégias

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vaca leiteira parida lambendo bezerro
Foto: Divulgação

Com a finalidade de verificar a eficiência reprodutiva, o principal índice a ser avaliado é a taxa de prenhez

Por: José Luiz Moraes Vasconcelos – Para a minha vaca ficar prenhe, preciso detectar o cio e inseminá-la. Isso é lógico, mas muitas vezes não vemos os animais no cio e consequentemente não os inseminamos. Um programa reprodutivo de sucesso é essencial para a lucratividade na atividade.

O desempenho satisfatório neste quesito aumenta a produção de leite por dia de intervalo entre partos, proporciona maior crescimento do rebanho e velocidade no melhoramento genético. Nas últimas décadas, a fertilidade de vacas leiteiras tem diminuído, fato possivelmente relacionado com a maior produção da matéria-prima e os desafios inerentes a este aumento. Além disso, há seleção de reprodutores com menor mérito genético para fertilidade (taxa de prenhez das filhas).

A detecção de cio também se reduz na média, em razão de mudanças fisiológicas das vacas modernas, bem como a fatores de manejo, mão de obra e sistemas de produção, que podem reduzir a expressão e a detecção do cio. Para amenizar o efeito dessa situação, estratégias de manejo têm sido adotadas em rebanhos leiteiros.

Com a finalidade de verificar a eficiência reprodutiva, o principal índice a ser avaliado é a taxa de prenhez. Calculada a cada 21 dias, ela é definida pela taxa de serviço (número de animais inseminados dividido pelo de animais aptos) e pela taxa de concepção (número de animais que emprenharam divididos pelo número de animais inseminados).

Multiplicando a taxa de serviço pela de concepção obtemos a taxa de prenhez, a qual representa a velocidade com que as vacas estão emprenhando. Para melhorar a eficiência reprodutiva, deve-se aumentar a taxa de prenhez e, para isso, os índices de serviço e de concepção.

Quanto à taxa de serviço, devemos atuar no momento em que as vacas recebem a primeira inseminação após o período voluntário de espera. Esse período pode variar entre fazendas e raça de animais. Geralmente em rebanhos Holandeses gira em torno de 60 dias pós-parto e, em vacas mestiças, em torno de 40 dias.

Após este prazo, a vaca deve ser inseminada rapidamente, pois, se o procedimento não ocorrer nos primeiros 21 dias após, a taxa de serviço diminui. Além do momento da primeira inseminação, o intervalo entre elas é outro fator importante. Em resumo, para obter as melhores taxas de prenhez deve-se atuar tanto no momento da primeira inseminação quanto no intervalo entre elas. Neste caso é preciso, ainda, fazer protocolos de sincronização de ovulação, ou inseminação artificial em tempo fixo (IATF), que permite inseminar todas as vacas aptas rapidamente após o período voluntário de espera.

Algumas fazendas utilizam apenas a observação de estro para a primeira inseminação após o período voluntário de espera. Geralmente realizam a observação visual diária duas vezes por dia (manhã e tarde). Deste modo, os animais observados em cio pela manhã são inseminados no mesmo dia à tarde, e aqueles aptos à tarde são inseminados na manhã do dia seguinte. No entanto, essa estratégia depende da eficiência da detecção de estro (cio), que geralmente é menor que 50%, podendo melhorar quando se utilizam estratégias como marcações nos animais e pedômetros.

Em torno de 30% das vacas no pós-parto estão em anestro (ausência de cio) e estas não são detectadas em estro no período voluntário de espera, pois não apresentam estro até retornar à ciclicidade. Ou seja, mesmo se a fazenda tiver 100% de eficiência em detectar estro, apenas 70% das vacas serão inseminadas. Assim, como citado acima, uma estratégia interessante para garantir maior eficiência é a utilização de IATF, que permite programar o momento da primeira inseminação em 100% dos animais, independentemente de estarem ciclando ou não.

É importante que se tenha boa taxa de detecção de estro das vacas após a inseminação. O ciclo estral dura aproximadamente 21 dias, ou seja, se ela não emprenha após a inseminação, manifestará estro novamente neste período. O intervalo entre as inseminações indica a eficiência da detecção de cio, e quanto mais próximo de 21 dias, melhor será a taxa de serviço. Fazendas que utilizam apenas IATF e não observam cio geralmente têm intervalo entre inseminações de aproximadamente 42 dias, e quando o diagnóstico de gestação é realizado com 31 dias, 100% dos animais aptos recebem IATF aos 42 dias, conseguindo uma taxa de serviço de 50%. Em fazendas que fazem IATF + observação de cio, o intervalo entre as inseminações geralmente é menor que 42 dias, o que representa taxas de serviço superiores a 50%.

Entre as ferramentas auxiliares para detecção de estro, destacam-se a marcação dos animais e pedômetros. A marcação dos animais pode ser realizada com bastão de cera ou adesivos. Quando há remoção da tinta no animal ou do adesivo, é indicativo de que a vaca aceitou a monta e deve ser inseminada. Para essa estratégia deve-se empregar uma rotina para marcação dos animais e observação. Já os pedômetros monitoram a atividade física do animal e se baseiam no aumento relativo de atividade, levando em consideração os sinais secundários de cio (inquietação).

Alem da taxa de serviço, deve-se avaliar a taxa de concepção, que depende de vários fatores, como genética, ambiente, conforto, nutrição, qualidade dos ingredientes utilizados na dieta, fertilidade do sêmen, eficiência do inseminador, saúde da vaca, doenças pós-parto, entre outros. Isso mostra que é mais fácil aumentar a prenhez pelo aumento da taxa de serviço do que pela de concepção.

A utilização de protocolos de IATF mais eficientes (os protocolos são diferentes, com produtos diferentes, que influenciam de forma positiva ou negativa a concepção) pode aumentar da taxa de concepção, pois tem controle do desenvolvimento folicular, do cio e da ovulação, o que favorece a manutenção da gestação e a concepção. Estudos recentes que utilizaram IATF associada com a marcação dos animais (bastão de cera) e pedômetro para detectar a expressão de cio no protocolo observaram que as vacas que apresentaram o cio ao protocolo de IATF tiveram maior concepção que as vacas não detectadas.

Em conclusão, para aumentar a taxa de serviço na primeira inseminação, a utilização de protocolos de IATF é a estratégia que permite a maior eficiência, pois permite a inseminação de 100% dos animais, mesmo que não estejam ciclando.

Após a primeira inseminação, é importante a detecção de cio de retorno.

Existem protocolos que apresentam maior prenhez, e deve-se utilizar estes protocolos, pois emprenham mais vacas e se tornam mais baratos por fêmea gestante. Não esqueçam de que a vaca, para produzir, tem que parir e, para parir, tem que emprenhar. Quanto mais rápido este processo, mais leite se obtém.

Fonte: Portal DBO

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