Oeste do MT é potência no confinamento bovino

Oeste do MT é potência no confinamento bovino

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Região do Mato Grosso lidera confinamento de bovinos; levantamento aponta que 168,4 mil animais deverão ser terminados no cocho este ano

Apesar de redução no total de animais confinados, levantamento aponta que 168,4 mil animais deverão ser terminados no cocho este ano. Expectativa é que haja uma redução de 14,5% no número de bovinos engordados no cocho em comparação com 2019, quando 197.076 animais foram confinados no oeste do estado

A região oeste deve liderar o confinamento de bovinos este ano em Mato Grosso. De acordo com o 1º levantamento realizado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), 168.400 animais deverão ser confinados este ano, segundo os produtores da região, o que representa 29% do total no estado, estimado em 577.550 animais. Até ano passado, o centro-sul liderava o ranking estadual.

Apesar da liderança este ano, expectativa deste ano é que haja uma redução de 14,5% no número de bovinos engordados no cocho em comparação com 2019, quando 197.076 animais foram confinados no oeste do Estado. Ainda de acordo com o levantamento, devido a redução da capacidade estática, a taxa de ocupação deverá ser de 99% na região.

Os fatores que estão influenciando a maior cautela dos produtores são o custo do animal, a instabilidade decorrente da pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19) e os custos dos insumos.

Para o produtor da região e diretor da Associação Campos do Guaporé, Luciomar Machado, o avanço da agricultura no oeste do estado tem estimulado os pecuaristas e facilitado a manutenção dos confinamentos. “Muitos produtores estão cortando o milho para fazer volumoso e ração e em algumas propriedades a soja também dá lugar para recria. Outra característica é o crescimento dos semiconfinamentos devido ao aumento da disponibilidade de milho”, afirma o produtor.

Machado, porém, também destaca que apesar do volume expressivo de animais confinados, a alta nos custos de produção e o preço “apertado” do boi gordo está segurando um crescimento ainda maior. “As indústrias estão travadas na região e, apesar do desenvolvimento oriundo da agricultura, a integração também requer mais tecnologia, o que eleva o custo de produção”, detalha.

A produtora de Vila Bela da Santíssima Trindade (a 521 quilômetros de Cuiabá) Larissa Zem explica que o planejamento no início do ano era aumentar o número de animais confinados, mas com a pandemia e considerando o preço do boi magro e da arroba, a conta não fecha. “Não vamos confinar para ter prejuízo. Por isso devo engordar somente os animais que já temos na fazenda.” A produtora disse ainda que, devido à produção de milho e de sorgo, o custo na propriedade é relativamente menor porque já tem parte dos insumos.

O Imea destaca exatamente isso em seu relatório. “Os custos com aquisição de animais e insumos para suplementação estão em alta, o que levou à maior cautela dos confinadores este ano. Além disso, também foi citado o menor consumo de carne bovina no mercado doméstico, devido ao coronavírus”, detalha o estudo, ao mostrar que uma contrapartida vem do mercado externo que está com a demanda aquecida, o fator que tem sustentado as cotações futuras.

O próximo levantamento deve ser realizado no mês de julho e poderá apresentar um cenário mais concreto sobre quantos animais deverão ser confinados de fato este ano.

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