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Especialista em zootecnia lista, ironicamente, ações e situações que prejudicam sistematicamente a estação de monta.

Estamos chegando ao fim de mais um ano, porém estamos dentro de mais uma estação de monta. É conhecido o período pelos pecuaristas como sendo o início de mais um clico, ou seja, estamos planejando hoje o produto que será entregue “amanhã”.

Criadores de animais de grande porte, muito especialmente de gado de corte, têm sempre o desafio de combinar a arte de criar com a capacidade de vidência no médio e no longo prazo. Garantir todas essas combinações é um ponto que todos desejam alcançar.

O termo estação de monta deve ser entendido como período ou época do ano determinado para o acasalamento e cada pecuarista determina a quantidade de dias que a sua durará, alçando o máximo de gestações em curto período de tempo.

Invertendo o discurso num arremedo de psicologia reversa, vejam à seguir cinco passos infalíveis para ter “prejuízo” e ajudar o produtor a esquecer de uma vez por todas que, gerenciando bem, as coisas poderiam ser diferentes dentro do seu sistema produtivo.

Então, preparados? Vamos começar nosso roteiro de insucesso:

1. Estação de Monta

Utilizar um período para estação de monta não é necessário. Quando se trabalha com acasalamentos durante o ano todo, garante-se um melhor índice reprodutivo e os bezerros desmamam mais pesados e garante facilidade na hora de formar lotes homogêneos para recria ou venda a terceiros. Além disso, fica muito mais fácil o manejo da fazenda e definição de um calendário de sanidade dos animais. Não se preocupe com a safra de bezerros ou redução do intervalo entre partos, isso não é importante.

2. Escolha do Touro

Uma coisa que não trás retorno é a utilização de exames andrológicos nos touros utilizados, isso é fato, até porque todos os touros são produtivos o tempo todo. Utilizar critérios de seleção genética é coisa do passado, o melhor reprodutor para a sua fazenda é o touro de boiadaaquele que está na capa da revista ou aqueles que passam em programas de leilões todos bonitões, sem passar por nenhum programa de melhoramento genético conhecido. Se quiser realmente ter lucro, esqueça os touros que tem todo um histórico, prefira aqueles que não tem nem registro do pai. Ah, antes que me esqueça, deixe eles com a vacada todo o ano e de preferência com o maior número de vacas possível, eles não precisam de descanso.

3. Utilizando a IATF

Esse procedimento nem é tão positivo para a propriedade, tecnologia sem retorno. Agora, se for utilizar, não se preocupe, qualquer um sabe fazer – mão de obra qualificada é perda de tempo. Jamais utilize troncos de contenção de qualidade para poder realizar a IATF, ou muito menos, um curral de manejo para conduzir as vacas. Quanto aos processos de descongelamento do sêmen, manejo da bainha, higiene do aplicador ou qualidade dos hormônios utilizados é tudo coisa de gente fresca, faça do seu jeito que terá maior sucesso.

4. Descarte de Vacas

É muito comum acontecer de algumas fêmeas não conseguirem emprenhar durante a inseminação ou na cobertura natural, mas descartar esse animal é um prejuízo, melhor é manter esse animal na fazenda, pode ser que um dia ela resolva conceber alguma cria. Não faça, jamais, a reposição das suas matrizes com novilhas oriundas da sua propriedade, melhor mesmo é ir atrás de alguém que te venda esses animais, assim você garante que elas serão de qualidade e estarão adaptadas a sua realidade.

5. Escolha da raça

Muito se fala em cruzamento entre raças, mas isso é coisa do passado. Pra que utilizar uma raça como Angus e Brangus capazes de produzir animais supervalorizados no mercado, se você pode continuar somente com seu gado tradicional. Garantir precocidade sexual para reprodução ou abate, com um bônus no frigorífico é coisa de quem não conhece de pecuária. Mas não se esqueça, também, de se utilizar aquelas raças super exigentes em ambientes onde não se tem qualidade no manejo adotado.

“Agora é só praticar e aguardar os bezerros super valorizados que vão render desse manejo”.

Esse texto tem por finalidade fazer uma abordagem de forma “brincalhona” do que acontece na maioria das propriedades brasileiras ainda nos dias de hoje, onde a lucratividade não existe, ficando somente a paixão. Infelizmente, é esse “prejuízo” mascarado que estamos nos deparando no campo. A pecuária é um grande negócio e deve ser visto como tal, é preciso planejamento, gestão e qualidade no que é feito. Fique atento e não deixe seu investimento virar um “bezerro de descarte”.

Dicas de touros Brangus para a estação de monta

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