Vai faltar boi em 2020?

Vai faltar boi em 2020?

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Foto Divulgação

Arroba teve uma grande alta no final do ano e a demanda dos frigoríficos foi crescente, o abate de animais deverá atingir um nível recorde esse ano, mas e a reposição? Vai faltar boi em 2020?

O abate de fêmeas registrou um aumento significativo nos últimos dez anos e agora já está influenciando na oferta e consequentemente nos preços do bezerro e do boi gordo. E como agravante desse cenário, nos últimos 2 ou 3 anos, o abate de fêmeas jovens também aumentou, e a consequência é um buraco na oferta de animais terminados no próximo ano e a pergunta é: Vai faltar boi em 2020?

Quando olhamos para um cenário macro, o preço da arroba do boi gordo tem alcançado níveis recordes a cada semana, tendo puxado o preço das vacas, novilhas e, principalmente, da reposição. Bezerros já são comercializados acima de R$ 2 mil reais, fora a oferta que está abaixo da média, por consequência do menor número de fêmeas/matrizes nas propriedades.

Além da demanda Chinesa, os preços dos bezerros estão fortalecendo as altas nos valores da arroba do boi gordo, com possível cenário de queda na oferta dos animais para abate em 2020

Thiago Pereira – Zootecnista

Segundo o analista de mercado, Rodrigo Albuquerque, a pecuária está retendo poucas fêmeas nos últimos anos. “A média de fêmeas abatidas nos últimos dez anos foi significativa, e nessa década, só em um ano o setor reteve as fêmeas de maneira significativa. Era esperado que em algum momento, os preços para o bezerro iriam se fortalecer e que iria refletir nos valores do boi gordo”, comenta.

Esse cenário ficou mais evidente a partir do momento que a indústria brasileira descobriu a novilha como uma solução para o problema do macho inteiro não castrado. “Começamos a direcionar em larga escala abate de fêmeas jovens, porém as fêmeas jovens são as que têm os maiores índices reprodutivos e tem o melhor mérito genético”, relata.

Nos últimos cinco anos, a utilização de raças europeias no cruzamento com Nelore, principalmente, ajudou a pecuária a dar um salto na redução da idade ao abate dos animais. Passamos de um boi de 4 a 5 anos, para um animal de 17 a 10 meses de idade com uma carne mais nobre e com maior qualidade. Entretanto, esses animais acabaram gerando um gargalo dentro da pecuária, reter a novilha precoce ou vender esse animal com bonificação?

Os animais acabaram sendo cada vez mais cobiçados pelos frigoríficos, que viram nelas uma chance de pagar barato, mais uma vez, por uma carne de maior qualidade. Todo esse cenário, unido a forte procura pela carne brasileira, trouxe uma alarmante preocupação para o produtor e, agora também, o frigorífico: “vai faltar boi em 2020?”

Na opinião de Albuquerque o próximo limitador para a arroba do boi gordo é justamente o valor do bezerro. “A cria ficou décadas com uma margem muito ruim e é muito bom ver esse segmento se valorizando. Para quem atua na recria e engorda é preciso ser profissional, pois cada vez mais será desafiador esse cenário”, conta. 

Os pecuaristas que não possuem um planejamento aliado a uma gestão eficiente e estratégica, terá enormes dificuldades em obter uma margem de lucro maior em 2020. Apesar das altas no preço do boi gordo, os custos de produção estão subindo junto e, para aquele que depende da oferta de animais para reposição, verão seus custos subirem ainda mais.

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